quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Elitização e frustração



Carlos Lessa - Valor 10/08
Em economia, subentende-se que o acesso de uma pessoa aos bens e serviços materiais depende de sua renda pessoal e da quantidade e qualidade das políticas públicas, desde as estritamente sociais àquelas ligadas à fruição da cidadania.

A forma como se reparte a população por níveis de renda é a aproximação feita pela economia para ilustrar, sinteticamente, as desigualdades de padrão de vida. Entretanto, e mais além do poder de compra da renda pessoal, a qualidade de vida é afetada pelas regras de conviviabilidade e desenho institucional a respeito dos padrões comportamentais da população. O acesso às praias serve de ilustração.

A instituição portuguesa das terras de marinha - propriedade eternamente pública das terras lindeiras a tantas braças do preamar -, transplantada para o Brasil, garante livre acesso à orla marítima. Na Espanha, não houve essa instituição, e nos vizinhos hispano-americanos há a praia vedada, ou seja, aonde é impedido o livre acesso. A possibilidade do banho de mar é, no Brasil, garantida pela ordem jurídica, porém o acesso aos não moradores, vizinhos às praias, pode ser dificultado pela ausência de transporte.

Lembro-me de um governante do Rio de Janeiro que ficou surpreso ao constatar, por uma pesquisa, que seu gesto de estabelecer linhas de ônibus dos subúrbios às praias oceânicas era permanente na memória do povão, e considerado uma prova de respeito. Lembro-me, também, do sucesso da piscinas marítimas (piscinões) na Praia de Ramos e em São Gonçalo. Sei da tristeza dos moradores no interior do bairro da Ilha do Governador, quando associações de moradores dos vizinhos das praias conseguiram impedir a construção de outro piscinão.

Entretanto, com frequência, em vez de melhorar a qualidade de vida do povão, os governantes fazem o contrário. O povo cria um padrão de comportamento inovador, que lhe dá felicidade; gera inveja e interesses pecuniários associados que expulsam o povão ou dificultam a reprodução daquele padrão.

A escola de samba do carnaval abria a possibilidade mágica da transmutação do popular, ao vestir fantasia e desfilar para o público. Com a evolução do negócio do carnaval, a fantasia está longe do homem do povo. Aliás, surgiu o "dono de ala", que se responsabiliza em conseguir algumas dezenas de figurantes e, comercializando o lugar na ala, ganha do candidato uma importância em dinheiro. Agências de turismo vendem lugares a quem jamais sambou, mas quer contar para os amigos - ou futuramente para os netos - que desfilou no Sambódromo.

Existem chefes de alas que contratam com diversas escolas e oferecem um cardápio de fantasias a turistas candidatos. Hoje, o popular que samba depende de ser inserido numa "ala da comunidade", claramente minoritárias entre os milhares de não sambistas desfilantes. Nas arquibancadas, o preço de admissão vai expulsando o popular de baixa renda. A resposta do povo carioca foi prestigiar as escolas fora do Grupo Especial e fazer renascer os blocos de bairros. No carnaval passado, o Cordão do Bola Preta mobilizou 500 mil aderentes.

Agora, está sob ameaça outra das criações apaixonadas do povão brasileiro. A Fifa, com suas regras e o servilismo nacional, está "gentrificando" o futebol. As torcidas vão sendo desapropriadas de seu estilo de torcer. Creio que o povão brasileiro redefiniu, radicalmente, o football. Nelson Rodrigues disse que no football clássico inglês o jogador expulsa a bola, enquanto que no futebol brasileiro, o jogador buscou dominar a bola. Um jogo aristocrático, que apaixonou o nosso povão pois é barata a sua iniciação.

A bola pode ser improvisada, o campo pode ser um terreno baldio e, no limite, até mesmo um declive. As marcas de gol podem ser pedaços de pedra e é autorizado, na pelada de várzea, jogar com pés descalços e organizar o jogo com e sem camisa. A linha de passe aperfeiçoa o domínio da bola. Das micro torcidas locais, a paixão gerou a torcida dos clubes, a adesão irrestrita ao grande time e, nos campeonatos com outros países, a pátria se veste de verde e amarelo. Para minha surpresa, está organizada a Frente Nacional de Torcedores que, no limite, no final de um grande campeonato internacional terá algo como todo o povo brasileiro menos os recém-nascidos e os excêntricos.

O pequeno estádio evoluiu arquitetônica e operacionalmente para os grandes Pacaembu e São Januário, porém quando a Fifa decidiu fazer a Copa do Mundo de 1950 no Brasil foi construído o Maracanã. A partir do fiasco de 16 de julho, o "Maraca" foi consagrado como o templo máximo da paixão brasileira pelo futebol. Seu coração sempre esteve na geral, aonde o povão de fé vivia a sensação de estar unido aos torcedores do seu clube, sendo um só com a multidão, que vibrava a mesma voz. A geral foi mutilada a partir de 2005, com a restrição da Fifa ao torcedor em pé. Com isso foi reduzida a presença na geral, porém o torcedor ficou em cima da cadeira. Agora, sob o argumento de que a Fifa exige proteção climática com sombreamento e evolução para a "climatização"(!), o Rio irá gastar mais de R$ 1 bilhão para reduzir a apenas 76 mil o público que, no passado, chegou a 200 mil pessoas. A elitização pretende converter o templo da paixão em um teatro que apresenta a ópera futebolística. Obviamente, o custo de admissão vai expelir o povão do "Maraca".

A demolição da marquise do Maracanã e sua substituição por uma lona é uma violenta agressão arquitetônica a um totem brasileiro. Por que não utilizar o Engenhão até a recuperação da marquise? Além do domínio da bola, o brasileiro criou a emoção da festa de torcida. Por que uma política pública se dedica a expelir o povão de seu templo e anular um componente de felicidade? À má distribuição de renda pessoal, parece haver um esforço para "vedar" o povão às suas paixões e aumentar as frustrações.

Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa é professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do BNDES

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

30 milhões incinerados num único evento


PEDRO PORFÍRIO - domingo, 31 de julho de 2011.

"Em janeiro de 2011, o Ministério do Esporte apresentou previsão de R$ 5,6 bilhões para 11 sedes, sem o custo do Itaquerão. Em junho, a previsão de gastos já chega a cerca de R$ 7 bilhões. Ou seja, somente o custo dos estádios já triplicou, considerando a previsão inicial de R$ 2 bilhões, em 2007".
Romário, ex-campeão mundial e deputado federal

Trinta milhões de reais no prelúdio extravagante do maior alçapão já montado pelos assaltantes do colarinho branco. Trinta milhões saídos dos cofres da Prefeitura carioca e do Estado do Rio de Janeiro, que mantêm professores e todo o funcionalismo a pão e água, muitos pagando para trabalhar. Que sonegam à população o direito fundamental à educação razoável e à saúde básica, tornando-a presa fácil dos tubarões do ensino e do impiedoso sistema privado de as sistência médica.

Trinta milhões para a exibição de luxo e riqueza, num evento de duas horas, cuja única finalidade era sortear as bolinhas das chaves eliminatórias da Copa do mundo de 2014, tudo segundo o figurino perdulário de uma máfia sem qualquer recato, a máfia multinacional da Fifa. Todo esse dinheiro foi disponibilizado de mão beijada aos esquemas da filha de Ricardo Teixeira, mafioso de carteirinha, que não terá obrigação de nos prestar contas pelo atalho contábil forjado na transferência blindada do dinheiro público a uma entidade privada.

Esse aperitivo faraônico que teve como cenário a Marina da Glória, do todo poderoso Eike Batista, é pinto diante da arquitetura de gastos irresponsáveis concebida para os dois eventos esportivos, que, por coincidência, acontecem em sequência num único embrulho, gerando uma bolha ilusória em dobro, na mesma sem-cerimônia dos comerciais de cerveja que, depois de instigar o consumid or a um porre, termina com um letreiro rápido de “beba com moderação”.

O espetáculo platinado é apenas, como se poderia dizer, a ponta de um iceberg colossal, que nutre a roubalheira de um script sedutor, revestindo com purpurinas cintilantes a rasteira em um povo já acostumado ao “me engana que eu gosto”.

É como se estivéssemos diante de um mau presságio explícito, de um grande golpe anunciado.

Conversas para enganar os trouxas

Diz-se que sediar a copa de futebol e os jogos olímpicos mundiais tem o condão de alavancar a vida econômica do Brasil, aumentar o PIB e, em particular, reposicionar a cidade do Rio de Janeiro no topo das metrópoles endeusadas. Propaga-se, na maior cara de pau, que a farra homérica de 2014 redundará no aumento das nossas exportações em 30%. E muito mais se diz na carrada obscena de engodos mirabolantes.

Por tal, o vale tudo corre solto. Qualquer excesso será compensado pelo orgulho das visitas esperadas, pela centralização das imagens esportivas que chegarão a todos os cantos do mundo, imagens televisivas que, aliás, serão a única forma dos brasileiros verem os espetáculos, a menos que tenham como morrer numa grana preta nos ingressos que terão o custo médio de um salário mínimo.

Não há arcabouço mais adequado para a rapina. Pelas fórmulas engendradas, o assalto acontecerá em nome das exigências supranacionais dos magos da Fifa e do Comitê Olímpico Internacionais. Se não for como querem, o pau come.

Na copa de futebol, primeira parada do trem da alegria dos “sanguessugas” do erário, a extravagância é ampla, geral, e irrestrita. O vale tudo começa pela festa nababesca que custou aos contribuintes o equivalente à construção de 6 escolas públicas para 400 alunos cada, e passa pelo esbanjamento fau stoso com estádios de futebol, pelas renúncias fiscais, envolvimento do BNDES no folguedo e a pela privatização-doação emoldurada dos aeroportos lucrativos.

No caso dos estádios, até a inteligência mais limitada é agredida. No Maracanã, a construtora do amigo íntimo do governador (em sociedade com outras duas empreiteiras) vai faturar 1 bilhão e lá vai picos na terceira reforma em menos de 12 anos. Em São Paulo, o estádio particular da Odebrecht-Coríntias terá só de renúncias fiscais da Prefeitura mais de 420 milhões de reais e ainda receberá uma boa grana do governo do Estado e do BNDES. Só a isenção representa deixar de construir 84 escolas para 33.600 alunos.

Extravagâncias ao gosto dos picaretas

Em Manaus, Brasília e Cuiabá, a extravagância tem os sintomas da insensatez mais tresloucada. Nessas cidades, onde se joga futebol da várzea, o dinheiro público será queimado já se sabendo que os estádios erguidos para quatro ou cinco jogos da Copa não terão mais serventia depois. No Amazonas, clubes como o América estão nos estertores. Enquanto isso, o Serra Dourada de Goiás, onde há tradição de futebol em nível nacional, foi descartado, porque Goiânia, distante 210 km da corte, ficou fora da lista.

No Ceará, um estádio que precisaria apenas de algum trato, foi posto praticamente no chão e deve consumir mais de 600 milhões do contribuinte. Em Pernambuco, nenhum dos três campos tradicionais será remodelado. A arena de lá está sendo construída a 25 km da capital, em São Lourenço da Mata, fora dos eixos naturais de transportes.

Em Minas, a reforma da Mineirão não sairá por menos de 700 milhões. Na Bahia, ao contrário das contas oficiais, a arena da Fonte Nova sairá por 835 milhões, segundo estimati vas da Transparência Brasil.

Em suma, considerando os vícios das obras em nosso país e a participação preponderante do dinheiro público, já se prevê que essas construções somarão mais de 11 bilhões no final das contas.

Comparativos expõem as vísceras da malandragem: aqui mesmo, o Palmeiras desembolsará não mais de 300 milhões na nova Arena Palestra Itália, com 45 mil lugares. Já na Alemanha, dois novos estádios acabam de ser erguidos: a Prefeitura de Mainz, capital do Estado da Renânia-Palatinado, precisou de apenas o equivalente a 140 milhões de reais para seu estádio de 34 mil lugares, incluindo nessa conta 35 milhões para a infraestrutura no seu entorno. Já o estádio do Augsburg, na Bavária, com 25.579 assentos, saiu por menos do equivalente a100 milhões de reais.

África do Sul ficou no prejuízo

Falamos apenas dos gastos com as praças de esporte. Elas representam menos da metade das despesas em nome da copa previstas nas cidades. E o retorno? Ao contrário da Alemanha e Estados Unidos, que não precisaram fazer gastos extraordinários porque já tinha estrutura para os eventos, em termos de futebol o exemplo da África do Sul é referencial.

O país de Mandela gastou US$ 4,9 bilhões em estádios e infraestruturas, que gerariam rendas imediatas de US$ 930 milhões derivadas do afluxo de 450 mil turistas. Quando foi ver, a rede privada de serviços só faturou US$ 527 milhões dos 309 mil turistas que de fato entraram no país no mês da competição. Nas previsões da CBF, a nossa Copa atrairá 500 mil turistas, que gastarão 3 bilhões de reais, ou seja 4 vezes mais do que na África do Sul – um cálculo pra lá de alucinado.

Os estádios com exce ção do Soccer City, de Johannesburgo, usado para jogos de rúgbi e shows, são conservados pela injeção de dinheiro público. A Cidade do Cabo paga US$ 4,5 milhões ao ano pela manutenção da arena de Green Point, erguida ao custo de US$ 650 milhões e usada apenas 12 vezes depois da Copa. Lá já discutem a demolição desse estádio ocioso.

Em se tratando de jogos olímpicos, só se pode falar de ganhos compensatórios mesmo nos de Barcelona, em 1992. Em contraste, o desastre de Atenas, em 2004, é visto como o ponto de partida da crise que levou a Grécia à bancarrota.

Num contexto internacional recheado de dúvidas, com os Estados Unidos na pindaíba e uma dívida colossal de 14 trilhões de dólares, tudo leva a crer que esses eventos vão ajudar a destrambelhar nossas vidas, ao contrário da falácia de quem já começou a engordar as contas com o desperdício do prelúdio luxuriante.

População já disse não aos gastos

Já há uma rejeição explícita das populações a essas farras. Uma pesquisa da Sport+Markt, divulgada há pouco, revelou a insatisfação da cidadania. No Rio de Janeiro, só 14,7% concordam com o uso de dinheiro público nos estádios. No Amazonas, 17%. Entre os que têm opinião formada, na cidade de São Paulo, 60,2% discordam e, no estado, essa rejeição chega a 64,2%. No país, dos que já têm opinião formada 63,7% disseram-se contrários aos gastos com estádios, superfaturados ou não.

No entanto, a onda avassaladora impulsionada pela mídia é capaz de nos encher os olhos de miragens orgásticas. E não é por acaso: a principal fonte de receita da FIFA com a Copa está na venda dos direitos de televisão para a qual há um grande intermediário que compra e revende os direitos para os principais países: a Infront Sports & M idia (ISM), operando através de sua subsidiária HBS (Host Broadcast Services). Há uma expectativa de que as imagens do certame alcançarão uma audiência acumulada de 30 bilhões de telespectadores, um atrativo apetitoso para os grandes anunciantes. É nesse nicho que a Rede Globo já está enturmada, embora tenha feito uma proposta 20% mais baixa do que a Record.

Haja o que houver nas duas competições, vê-se que a mídia é o segmento com maiores interesses e possibilidades de ganhos visíveis.

Daí, o empenho em dourar a pílula, independente do que possa acontecer a este país que não se pode dar ao luxo de jogar dinheiro fora.
O que se faria com o dinheiro gasto na preparação da Copa
O site Planeta Sustentável imaginou o que se gastaria com os 11 bilhões previstos para a Copa (essa previsão já está superada).

R$ 2,1 bi
ONDE Expansão do saneamento.
Para levar água tratada a 2,2 milhões de casas e coleta de lixo a 2,1 milhões - cerca de 20% do déficit de saneamento.

R$ 2,8 bi
ONDE Crédito para casas populares.
Para financiar a construção ou compra de 480 mil casas populares - 6% do déficit habitacional.

R$ 2,8 bi
ONDE Universalização da eletricidade.
Para levar luz a 1,6 milhão de pessoas no campo - 13% da população sem acesso à energia.

R$ 1,4 bi
ONDE Combate ao analfabetismo .
Para ensinar 600 mil jovens e adultos a ler e escrever - o que representa 4% a menos de analfabetos no país.

R$ 1,4 bi
ONDE Bolsa Família.
Para custear o programa por um ano para 1,8 milhão de famílias, que receberiam um auxílio mensal de R$ 62.

R$ 700 mi
ONDE Saúde da Família.
Para levar o programa Saúde da Família a mais 2 milhões de pessoas - superaria a população de Curitiba ou Recife.

Para o torcedor, Brasil-2014 vai ser a 'Copa da corrupção'

Revista Veja

A história das Copas do Mundo ensina que receber o torneio aumenta as chances de vitória da seleção que joga em casa. Nas últimas edições, porém, esse retrospecto vem sendo contrariado - nas últimas três décadas, apenas a França, em 1998, festejou a conquista de um Mundial como país-sede. Outro benefício atribuído à realização de uma Copa é o impulso no crescimento econômico da nação que acolhe a festa. Esse efeito positivo, no entanto, também provoca controvérsia: para muitos economistas, o reforço no PIB no ano do Mundial acaba sendo pulverizado nos anos seguintes, quando os lucros colhidos com o evento desaparecem e sobram apenas as contas deixadas pelas obras monumentais exigidas pela Fifa. Existe, ainda, outro desdobramento comum de uma Copa em casa, algo que causa um impacto mais evidente e imediato, ainda que seja mais difícil de ser mensurado. Trata-se de uma injeção poderosa de confiança e orgulho nacional, que desperta na população um clima de euforia pela chance de desfilar o sucesso de seu país diante do resto do planeta. Depois do oceano de bandeiras tricolores que cobriu a Alemanha em 2006 e do rugido das vuvuzelas que uniu a África do Sul em 2010 (leia mais no quadro no fim do texto), a Copa do Mundo corre o risco de amargar seu anticlímax em 2014 - justamente num lugar fascinado pelo futebol e, segundo consta, especialista em fazer uma grande festa. Se depender das expectativas atuais da torcida, o Mundial do Brasil será uma estrepitosa decepção, talvez até um vexame internacional. Pouca gente se sente satisfeita com a Copa. Menos gente ainda está ansiosa para ver o maior evento esportivo do planeta acontecer em seu próprio país.

A pouco menos de três anos para o início do Mundial, o site de VEJA recorreu a seus leitores para medir a percepção da torcida sobre 2014. Numa pesquisa de opinião realizada entre os dias 20 e 25 de julho, 1.879 pessoas de todas as regiões do país responderam a doze perguntas a respeito da Copa. Os leitores foram consultados sobre os preparativos do país, sobre o papel do poder público no evento, sobre as sensações provocadas pela realização do torneio e, claro, sobre as chances da seleção brasileira. O cenário desenhado pelos resultados da sondagem é absolutamente desastroso. Em todas as doze questões propostas, a opinião majoritária sempre foi negativa. Ainda mais alarmante para a Fifa, a CBF e o governo - os responsáveis pela escolha do país como sede, pela organização da Copa e pela realização das principais obras - é a dimensão desse pessimismo. Em nenhuma questão incluída na pesquisa há equilíbrio entre as respostas positivas e negativas. As piores opções possíveis foram assinaladas por uma sólida maioria dos participantes da sondagem. As amplas margens que separam os porcentuais favoráveis e desfavoráveis do levantamento não deixam dúvidas: hoje, a Copa do Mundo de 2014 não empolga nem cativa o torcedor, desperta temores sobre a imagem do brasileiro no exterior e provoca insatisfação por causa do gasto excessivo e pouco inteligente de dinheiro público nas obras. A 34 meses da abertura, marcada para 12 de junho, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, ainda há tempo de sobra para que essas opiniões se amenizem - principalmente se as obras enfim começarem a avançar de verdade. É de se esperar, aliás, que o brasileiro se anime um pouco mais quando o clima da Copa começar a ser sentido. Até agora, entretanto, o Mundial é um fiasco, reportagem completa aqui.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Uau! Ronaldo na revista Barrigas!

De férias em Ibiza. Barriga tanquinho. Tanquinho de guerra! Parece a bunda da Valesca Popozuda! Rarará!
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Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta: "Presidente do Banco Central é homenageado pela Aeronáutica". Por conta dos juros nas alturas?! Rarará!
E olha essa placa no supermercado: "Rabo salgado, R$ 7,99". Esqueceram-se de escrever embaixo: não recomendado para hipertensos! E um amigo meu de Londrina foi pro supermercado, e a funcionária: "O senhor encontrou tudo o que queria?". "Encontrei até o que não queria." "O quê?" "A minha ex-mulher!" Rarará! E continua a maldição dos 27 anos. Manchete do Twiteiro: "Perícia comprova: Keith Richards também morreu aos 27". E o Ozzy Osbourne também. Só que eles não sabem! Rarará!
E o calote do Obama? E a crise americana? A CRAISE! Agora é tudo globalizado: você solta um pum em Minnesota e derruba a Bolsa de Kuala Lumpur! O Obama vai pedir dinheiro pro Tio Patinhas.
A crise tá tão grande que, na hora de assinar a moratória, o Obama gritou: "Alguém me empresta uma Bic?". Rarará! E a situação americana tá tão ruim que já tem americano fugindo pra Cuba. Deram ré na balsa. Americanos fogem pra Cuba! Essa crise americana tá como um amigo meu: comeu um porco, bebeu um uiscão e teve um infarto! E eu já defini a situação socioeconômica dos americanos: todo galo tem seu dia de canja!
Gornaldo Fofômeno Urgente! Vocês viram o barrigão do Ronalducho na capa da "Caras"? De férias em Ibiza. Barriga tanquinho. Tanquinho de guerra! Parece a bunda da Valesca Popozuda! Rarará!
E outra do Twiteiro: "De férias em Ibiza, Ronaldo vira destaque da revista Barrigas". Largar o futebol é fácil, o dificil é largar a lasanha e o chopão.
E diz que a Dilma vai fazer a foto oficial. E vai gastar R$ 14 mil no book fotográfico. E aí um cara postou no meu Twitter: R$ 13 mil deles só no Photoshop!
E um outro me disse que a Dilma está assinando tantas demissões que, se não tomar cuidado, vai acabar assinando a demissão dela própria. Demissão é comigo mesmo. Assino! Rarará!
E o Ministério dos Transportes mudou aquela placa "Homem na pista". Agora é "Mulher na pista". Dilma na pista! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

simao@uol.com.br

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mariana Pettersen e a corrida como paixão



Seu sonho é participar de maratonas e meias maratonas em cidades como Nova York, Paris, Londres, Barcelona, Amsterdã, Boston, Chicago e Sidney, entre outras. Mariana: “o clima das corridas é super alto astral e capaz de contagiar qualquer um, e é por isso que eu gosto de participar dessas competições.”

Rionet
No próximo dia 31, Mariana Adas Pettersen estará completando cinco anos trabalhando no Banco Central. Solteira e sem filhos, ela sempre praticou esportes, mas somente começou a correr em 2001, quando entrou na faculdade, ocasião em que passou a frequentar uma academia.
“Quando percebi já estava viciada.” – diz. Parece genético, pois sua mãe também corre, e Mariana só corria para manter o condicionamento, até ser convidada pela mãe para, juntas, participarem de uma prova. Desde então, ela não quis saber de outra coisa. Há uns quatro anos atrás, ela mudou radicalmente a alimentação, passando a comer alimentos mais saudáveis, excluindo do cardápio refrigerantes e frituras. Com essa mudança, o seu desempenho nas corridas melhorou bastante.
Atualmente, faz musculação, alongamento e spinning, e corre pelo menos quatro vezes por semana, num total de 60 quilômetros. “Mas nas semanas de mais volume, chego a fazer 85km. Três treinos são na academia e um treino, normalmente o longão, na rua.” – complementa.
Ano passado, a atleta subiu ao pódio três vezes. Em maio, ficou em quarto lugar no ‘X-Terra Teresópolis 6km’. Em junho, conseguiu o terceiro lugar no desafio do Rio de 30 km, no Aterro do Flamengo, e na ‘Track & Field Barra Shopping’, fez seu melhor tempo nos 10 km, 45min:12seg – ficando em quarto lugar.
Ainda neste ano Mariana reconhece que melhorou seus tempos em todas as distâncias, especialmente as mais longas (16 km, 21 km e 42 km). Suas provas mais importantes em 2011 foram as meias maratonas de Berlin e da Ponte Rio–Niterói, e a Maratona do Rio.
A do Rio foi a sua segunda maratona, e, como ela não ficou muito satisfeita com o seu desempenho no ano passado, resolveu se dedicar mais durante este ano e, desta vez, quase tudo deu certo. Só o calor, segundo ela, atrapalhou, mas de resto, tudo correu como planejado, conseguindo diminuir seu tempo em quase 30 minutos e finalizando a prova em 3h:48min:21s. Esse resultado deixou-a muito feliz, embora ela confesse que ficou com a sensação de seu tempo poderia ser ainda mais baixo se o seu desempenho não tivesse caído a partir de Copacabana (km 35).
“A maratona é uma prova bastante difícil que necessita de muita dedicação e treinamento. A prova do Rio de Janeiro não foi fácil, devido às duas subidas nos km 22 e 27 que minam o corredor, sem falar no calor que a cada minuto ficava mais intenso. Por outro lado, é uma das provas mais bonitas do mundo. – diz Mariana –, para quem uma das coisas mais legais que a corrida pode proporcionar é a chance de se conhecer as mais diversas pessoas e os lugares mais interessantes do mundo.
“Vou tentar pegar mais leve neste segundo semestre”, diz ela, que vai fazer a Fila Night e a Track & Field, ambas com 10 km. A atleta espera conseguir vaga em alguma equipe para correr o desafio de 600 km da Nike (São Paulo–Rio de Janeiro) . “Aí eu vou encarar.” – promete.
Para 2012, está em seus planos participar de uma maratona fora do Brasil, preferencialmente em Amsterdã. Além disso, ela pretende correr 2 meias maratonas, uma na Disney e outra em Milão.
E continua: “o clima das corridas é super alto astral e capaz de contagiar qualquer um, e é por isso que eu gosto de participar dessas competições. Além disso, eu sonho fazer maratonas e meias maratonas nas cidades mais importantes do mundo, como Nova York, Paris, Londres, Barcelona, Amsterdã, Boston, Chicago, Sidney, entre outras. Afinal, é uma maneira de juntar o útil ao agradável, ou seja, eu corro e ainda conheço lugares diferentes. Eu recomendo.” – finaliza.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Thaís e a batalha para superar limites



RIONET - 21/07/2011






A Maratona Caixa Cidade do Rio de Janeiro foi disputada na manhã do último domingo, 17, com largada na Praça Tim Maia, no Recreio dos Bandeirantes, e chegada no Aterro do Flamengo. A competição foi válida pela oitava etapa do Ranking Caixa/CBAt de Corredores de Rua de 2011 e pelos Jogos Mundiais Militares. Alguns servidores do Banco Central no Rio de Janeiro estiveram na disputa, entre eles a colega do Deban Thaís Porto Ferreira Rodrigues.

Do concurso de 2002, Thaís corre há pouco mais de dois anos. Casada e mãe de uma menina, foi a primeira vez que ela participou da Maratona do Rio.
Segundo a atleta, durante cerca de 32 quilômetros a corrida foi muito prazerosa. “Um dia lindo, um cenário lindo e uma galera com uma energia muito boa”. Para ela, a brincadeira começou a perder a graça no quilômetro 32, e a partir do quilômetro 36 o corpo já dava sinais claros de exaustão. “Os seis quilômetro finais foram na raça; ainda bem que contei com a ajuda de um grande amigo, que correu ao meu lado” – reconhece.
“Essa é a hora de superar os seus limites. Ao atravessar a linha de chegada, chorei muito, feliz por ter realizado esse sonho não muito antigo, mas pelo qual eu precisei batalhar muito”, conta. Os 42 quilômetros do percurso Thaís fez no tempo de 4h19m10s, e foi classificada na 174ª colocação, entre as mulheres.
Além de corrida, ela também faz musculação e, para manter a forma, diz que procura se alimentar de três em três horas, além de evitar “comer besteiras” durante a semana.
Na segunda-feira, dia seguinte ao da corrida, Thaís sentia dores nas pernas, “mas eu estava muito feliz por ter vencido esse desafio”, conclui orgulhosa.